Eu estava no meu quarto, e parei pra olhar o meu arquivo de cartas, fotos e uns papéis antigos que eu tinha guardado. Li algumas dessas coisas, e tranquei o choro, segurei cada gota d’água. Meu pai perguntou o que havia acontecido e eu disse nada. Mais no fundo eu queria desabafar com ele, dizer o quanto meus amigos me fazem falta, o quanto o colo da minha mãe me faz falta, o quanto as brigas da minha irmã me fazem falta. Minha antiga vida era tão boa e eu vivia a reclamar. Aprendi que só depois que a gente perde damos o devido valor. Só depois que vamos embora sentimos a falta das pessoas. Bem que minha mãe me avisou e eu como sempre a ignorei. Eu devia ter escutado ela, devia ter dado abraços mais fortes e duradouros, mais ao em vês disso eu simplesmente não dei valor. Logo ela que trocou as minhas fraldas fedidas, logo ela que me deu de mamar, logo ela que me deu toda a atenção do mundo quando eu apenas sabia falar “GUGU-DADA”. Sinto-me péssima por ter a abandonado. Ela não implorou pra que eu ficasse, mas eu sinto que ela queria muito isso. Nada justifica a minha atitude, e nada justifica as atitudes dela também. Sinto falta dos ótimos conselhos da Gabi, e das belas broncas da Camila. Nunca eu vou esquecer essas pessoas que em muitos dias me fizeram a pessoa mais feliz do mundo, devo tudo a elas, devo minha alma, minha vida.
Rafaela Canello

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